quinta-feira, 27 de junho de 2013
Meu Destino - Vivi Ulbricht
Não sei onde vou chegar, nem sei se vou
chegar, mas vou devagar andando e as
vezes tropeçando, caindo mas sempre
levantando. Meu olhar enxerga longe e é
pra lá que vou....se quiser ir comigo,
pode ir, mas não me segure, apenas me
acompanhe. Não ande atrás de mim, e
não ande na minha frente. Ande do meu
lado, é mais confiável, pois eu sigo os
caminhos, mas como não lhes pertenço,
posso a qualquer instante mudar para
onde o sol brilhar. Sou mensageira de
mim mesma, e vou me levando para
onde estão me chamando....onde o sol
brilha noite e dia, e as estrelas ensaiam
coreografias para os casais apaixonados.
Minha vida é bem vivida, tenho medo do
escuro, mas não temo meus fantasmas.
Sou assim, mulher, menina, correnteza,
tempestade, calmaria e certeza...só sei
amar, não sei julgar, não sei ferir, nem
sei abandonar. Então vem, não se perca
de mim, porque não vou lhe
esperar......meu destino é caminhar!
Vivi Ulbricht
Se... Vivi Ulbricht
Vou vivendo com minhas loucuras
Sonhando com momentos que tive
Com pessoas que não conheci
Em lugares que passei ou imaginei
Se existem, não sei....
Quero tão pouco e tanto!
Quero tanto um pouco mais...
Quero mais perto quem eu amo
Mais emoção em minha vida
Chorar de alegria
Muito mais paz.....
Não sei mais quem sou
Se sou insana ou me falta loucura
Se me encontrei ou me perdi naquele grito de dor
Se sou feliz com minha tristeza
Se sou triste por ser feliz,
Se sou real ou sou minha melhor invenção,
Se amei demais ou nem sei como é o amor
Se venci minhas batalhas ou eu fugi
Se minha vida foi um engano ou ainda nem
começou...
Vivi Ulbricht
Eternas Feridas - Vivi Ulbricht
Meu silêncio é meu grito,
Minha lágrima está em meu sorriso,
Sentida, amarga, escondida...
Minhas cicatrizes são profundas,
Ainda sangram...
São n'alma, queimam e doem,
Eternas feridas!
Vivi
terça-feira, 25 de junho de 2013
Canção do Exílio (Gonçalves Dias)
Canção do Exílio
(Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
O Cão Sem Plumas (João Cabral de Melo Neto)
O Cão Sem Plumas
(João Cabral de Melo Neto)
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
A Máquina do Mundo - Carlos Drummond de Andrade
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.
Mário Feijó In Permita-se
Cada dia é um novo dia
Jamais um dia será igual a outro
Por isto não perca a chance
De se dar uma nova oportunidade
A cada dia permita-se ser melhor
Pois este dia
E estas oportunidades
Não se repetem
Conserte o mundo a partir de você
Nunca a partir dos outros
O mundo só será melhor se você
melhorar
Os dias serão mais belos
Se você se permitir novas chances
Se você perceber
Que a sua felicidade está em suas
próprias mãos
Mario Quintana In Apontamentos da História Sobrenatural
Os dogmas assustam como trovões
e
que medo de errar a sequência dos
ritos!
Em compensação,
Deus é mais simples do que as
religiões.
Cecília Meireles In Mar Absoluto e Outros Poemas (1945)
"Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?"
Boa Noite!
Boa noite!
Uma noite com momentos de paz e alto astral para todos!
Que você se sinta aquecido pelo amor e carinho de quem lhe faz companhia...
beijos meus,
Vivi
Mihai Eminescu - in 'Luar"
Até à estrela que reluz
Há uma distância de trespasse.
Correu milênios sua luz
Para que enfim nos alcançasse
Talvez há muito já se fora
No longe azul extinto astro
Porém seus raios só agora
Ao nosso olhar mostram seu rastro.
A aura da estrela que morreu
No alto do céu se faz dar fé.
Era, e ninguém a percebeu,
Hoje que a vemos já não é.
Também assim a nossa dor
Na abissal noite se finda.
Porém a luz do extinto amor
Os nossos passos segue ainda.
Afonso Estebanez
O coração tem que esperar, mais nada!
Inda que a espera exaure a vida inteira
até que emprenhe o banho de alvorada
a luz das águas remansosas da ribeira...
O amor tem que esperar essa chegada!
Inda que chegue ao nunca do amanhã,
até que soem os clarins da madrugada
no ouvido íntimo dos sinos da manhã...
Sonhos são deuses surdos, nada mais!
E para deuses não existem horizontes
em que o amor desponte eternamente...
Sonhos de amor são brisas sazonais...
Às vezes partem por alguns instantes
e às vezes vão embora para sempre...
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