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terça-feira, 25 de junho de 2013

Joaquim do Carmo






Que importam, os jardins, as lindas 

flores,


As leves aves voando no céu?



Que importa o sol, a lua e as estrelas,


Se, de beleza, me enche o encanto teu?

Que importam rios, as fontes, os montes,


Tudo o que a terra, de graça, nos deu,


Os frutos doces, os peixes dos mares,


Se tu, inteira, és todo o enlevo meu?

Tu és para mim mais do que flor ou ave,


Mais do que o Sol, a Lua e as estrelas,


Bem mais que o belo azul do imenso céu,

Mais que em palavras, nestes versos, 


cabe,


Tanto mais digam, mais que sejam belas:


Tu és joia viva que a vida me deu!


Miguel Sousa Tavares




"... E de novo acredito que nada do que é 
importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

terça-feira, 18 de junho de 2013

Repousar no Mar - Vivi Ulbricht



Sobre as ondas no mar, vou repousar;
O cheiro, o ruido da água,
Estou a flutuar,
Navegar...
O sol em meu rosto,
A brisa do mar vai me refrescar
E quando chegar em alto mar, 
Vou deixá-lo me levar...
Vou repousar!
No mar...sonhar!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Estou de Visita - Vivi Ulbricht



Estou de visita!
Fui convidada para vir passear aqui,
Conhecer pessoas diferentes,
Aprender, ensinar, ouvir, entender,
Não vim para ficar...
Estou só de passagem! 
Sou uma caminhante,
Sem saber meu destino, só sigo...
Levo comigo pouca bagagem,
Somente o que vital,
Nada  que faça mal...
Vou sentar, conversar,
Vou deitar, sonhar,
Vou caminhar...
Depois que eu partir,
Não mais irei voltar,
Aqui!
Meu caminho?
Aquele que por ele nunca andei,
Aquele que nunca desbravei!  
Seguirei....
Um dia novamente,
 numa outra estrada,
lhe encontrarei!

Bom Dia!!



Bom dia!!
Um leve e lindo despertar à todos!
Que hoje tenhamos somente boas surpresas...
beijos meus,

Vivi

domingo, 16 de junho de 2013

Juvenília VII - Fagundes Varela



Ah! quando face a face te contemplo,
E me queimo na luz de teu olhar,
E no mar de tua alma afogo a minha,
E escuto-te falar;

Quando bebo no teu hálito mais puro
Que o bafejo inefável das esferas,
E miro os róseos lábios que aviventam
Imortais primaveras,

Tenho medo de ti!... Sim, tenho medo
Porque pressinto as garras da loucura,
E me arrefeço aos gelos do ateísmo,
Soberba criatura!

Oh! eu te adoro como a noite
Por alto mar, sem luz, sem claridade,
Entre as refegas do tufão bravio
Vingando a imensidade!

Como adoro as florestas primitivas,
Que aos céus levantam perenais folhagens,
Onde se embalam nos coqueiros presas

Como adoro os desertos e as tormentas,
O mistério do abismo e a paz dos ermos,
E a poeira de mundos que prateia
A abóbada sem termos! ...

Como tudo o que é vasto, eterno e belo;
Tudo o que traz de Deus o nome escrito!
Como a vida sem fim que além me espera
No seio do infinito.

À Uma Dama Crioula - Charles Baudelaire










No país perfumado, a um sol de fogo e 

pena,

Conheci sob dossel de árvores 

purpurado,


E de palmas de onde o ócio ao nosso 

olhar acena,


Uma dama crioula e de encanto 

ignorado.


De tez pálida e quente, a mágica 



morena





Tem no seu colo um ar, sempre o mais 



requintado;





Vai como a caçadora e é imponente e 



serena,





Seu sorriso é tranqüilo e seu olhar 



confiado.

Nietzsche



Ninguém pode construir em teu lugar 

as pontes que precisarás passar, 

para atravessar o rio da vida 

- ninguém, exceto tu, só tu. 

Existem, por certo, atalhos sem números,

e pontes, e semideuses que se oferecerão

para levar-te além do rio; 

mas isso te custaria a tua própria pessoa;

tu te hipotecarias e te perderias. 

Existe no mundo um único caminho

por onde só tu podes passar. 

Onde leva? Não perguntes, segue-o!

Coeur de Pirate - Place de la République


Corridinho - Adélia Prado



O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

Bom Dia!!


Bom dia!
Mais uma semana se inicia...
Que seja bem produtiva, repleta de alegrias, realizações e muita Paz!
beijos meus,

Vivi 

A Serenata - Adélia Prado


Numa noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.


Eu que rejeito e exprobo

o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.


Quando ele vier, porque é certo que ele vem,

de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.


De que modo vou abrir a janela, se não for doida?

Como a fecharei, se não for santa? 

Poema à Boca Fechada - José Saramago



Não direi: 
Que o silêncio me sufoca e amordaça. 
Calado estou, calado ficarei, 
Pois que a língua que falo é de outra raça. 

Palavras consumidas se acumulam, 
Se represam, cisterna de águas mortas, 
Ácidas mágoas em limos transformadas, 
Vaza de fundo em que há raízes tortas. 

Não direi: 
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, 
Palavras que não digam quanto sei 
Neste retiro em que me não conhecem. 

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos, 
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos. 

Só direi, 
Crispadamente recolhido e mudo, 
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo. 

As Rosas Não Falam - Cartola



Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim


Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim


Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti


Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por fim.

Abobrinhas Não - Itamar Assumpção/Alice Ruiz



Cansei de ouvir abobrinhas,

vou consultar escarolas


prefiro escutar salsinhas,


pedir consolo às papoulas


e às carambolas,


pedir um help ao repolho


indagar umas espigas,


aprender com pés de alho


ouvir dicas das urtigas


e dessas tulipas


um toque pro miosótis,


um palpite do alpiste


uma luz da flor de lótus,


pedir alento ao cipreste


e pra dama da noite,


pedir conselho à serralha


sugestão pro almeirão,


idéias para azaléias


opinião para o limão, pimentão


abobrinhas não.