sexta-feira, 16 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Cantares - Antonio Machado
Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar
Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,
como bolhas de sabão
Gosto de ver-los pintar-se
de sol e grená, voar
abaixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se…
Nunca persegui a glória
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar…
Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar”…
Golpe a golpe, verso a verso…
Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe viram chorar
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…”
Golpe a golpe, verso a verso…
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
“Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…”
Golpe a golpe, verso a verso.
Cantares (Antonio Machado)
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Mario Quintana - Deixa-me seguir para o mar
Deixa-me seguir para o mar
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
toda a tristeza dos rios
é não poderem parar
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Saudades - Vivi Ulbricht
Saudades de minha infância,
Dos meus pais, meus irmãos,
Bonecas, pipa, carrinho de rolimã, peão...
Anos vividos com a alegria de cada dia!!
Saudades de minha juventude,
Amigos, esperança, sonhos, coragem,
Audaciosamente sem juízo....
Saudades....
Difícil descrever,
Impossível esquecer!
Quem me dera um dia,
somente por um dia,
tudo isso eu voltasse a ter!!!
Vivi Ulbricht
Janaína Cavallin
"A gente podia poder costurar o tempo,
bordando em cima dos erros para que eles sumissem.
Costurar as pessoas que gostamos pertinho.
Costurar os domingos, um mais perto do outro.
Costurar o amor verdadeiro no peito de quem a gente
ama.
Costurar a verdade na boca dos seres.
Costurar a saudade no fundo de um baú para que ela de
lá não fuja.
Costurar a auto estima bem alto, pra que nunca ela caia.
Costurar o perdão na alma e a bondade na mão.
Costurar o bem no bem e o bem sobre o mal.
Costurar a saúde na enfermidade e a felicidade em todo
lugar."
terça-feira, 8 de abril de 2014
Renascer - Vivi Ulbricht
Eu amo porque só sei amar,
Eu me calo, para não ofender,
Eu sonho, para viver...
Eu choro sem ter o porquê!
Eu morro um pouco todos os dias,
Para renascer ao lhe ver!
segunda-feira, 17 de março de 2014
O Motivo - Cecília Meireles
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
quinta-feira, 6 de março de 2014
"Copo-de Leite" - Vivi Ulbricht
Copo- de- leite, linda flor
Como pode ser venenosa sendo tão majestosa,
Simboliza a paz e a inocência,
Muita incoerência!
Há também humanos...
Lindos, gentis e
simpáticos,
Mas são venenosos e matam
Dois corpos opostos
Ocupando o mesmo
espaço
Infeliz de quem cai em suas armadilhas
Serão amaldiçoados com muita dor;
Infeliz de quem se encanta com linda flor
Veneno, não amor....
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Talvez - Vivi Ulbricht
Talvez eu não fuja,
talvez eu queira,
talvez eu goste,
talvez eu beije,
talvez eu fique,
talvez...ou não!
Vivi Ulbricht
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Eu me Espero - Vivi Ulbricht
Em meu silêncio me entrego
Aos meus pensamentos,
O tempo passa por mim
Tão indiferente....
Não tenho respostas às minhas perguntas;
Apenas me escuto, me observo,
Sem me entender,
No dia seguinte,
Eu me espero....
Vivi Ulbricht
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Exame de Inconsciência - Mario Quintana
"Há noites em que não posso dormir
de remorsos por tudo o que deixei de
cometer ..."
Mario Quintana - Caderno H
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