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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

MAIS UM NATAL - Fernando Sabino




Aviso num restaurante de Brighton, que o dono fez imprimir no cardápio, à revelia dos garçons:
Somos seus amigos e lhe desejamos um Feliz Natal. Por favor, não nos ofenda, dando-nos gorjetas."

Junto à porta de saída, entretanto, os garçons fizeram dependurar uma caixinha sob o letreiro: "Ofensas”.

E no dia de Natal, como sempre, todos os bares de Londres permanecem fechados. Mas consegui realizar o milagre de encontrar em Chelsea um bar aberto, lá para as dez horas da noite. Meio desconfiado, fui entrando — logo um dos fregueses se adiantou, copo de cerveja na mão:

— Perdão, cavalheiro, mas o senhor já foi à igreja hoje?

E se justificou estendendo o braço ao redor, para apontar os demais fregueses, que bebiam cerveja em silêncio.

— Porque aqui dentro, nós todos já fomos.

E sem esperar resposta, passou-me o seu copo de cerveja, pedindo ao barman outro para si.

Festejou-se o Natal, já se festeja o Ano Novo. Há, porém, muita gente na triste perspectiva de passar ambas as festas em completa solidão. Como é o caso de Ethel Denham, ma velhinha com mais de oitenta anos de idade.

Dona Ethel não tem filhos nem marido: nunca chegou a se casar. Mora sozinha numa pequena casa de Exeter, fruto de sua aposentadoria. Para que não lhe aconteça alguma coisa sem ter a quem apelar, foi instalada à porta de sua casinha uma luz vermelha, que ela pode acender para pedir socorro, em caso de necessidade.

Na noite de Natal esta necessidade veio, mais imperiosa do que nunca. A boa velhinha não agüentava a idéia de estar sozinha e passar o Natal sem ninguém. Então acendeu luz de socorro e aguardou os acontecimentos.

Em pouco chegava um guarda de serviço, para ver o que tinha acontecido. E viu que não tinha acontecido nada.

— Fique um pouquinho — pediu ela. — Vamos conversar um pouco.

O guarda teve pena e resolveu ficar. Para não estar sem fazer nada, enquanto conversava fiado com a velhinha, fez um chá, aproveitou e lavou a louça, limpou a cozinha, deu ma arrumação na casa.

Para quê! Há gestos de solidariedade e compreensão que exigem outros, pois acostumam mal. Ou acostumam bem, ainda que na simples necessidade de participar da humana convivência. A dona da casa, encantada, na noite seguinte, depois de fazer o jantar, ficou esperando o seu Papai Noel tornar a aparecer. Como ele nunca mais viesse, não teve dúvida: acendeu a luz do pedido de socorro. Em pouco surgia outro guarda, para saber o que havia.

— Fique um pouquinho — pediu ela: — O senhor não aceita uma xícara de chá?

Mas este estava de serviço mesmo, não era mais noite de Natal nem nada. Então confortou a velhinha como pôde e caiu fora.

Ela, desde então, está esperando o primeiro guarda voltar — aquele sim, tão bonzinho que ele é. Não se conformando mais, depois de três noites de espera, vestiu um capote­, enrolou-se num chale e saiu para o frio da rua até a guarnição local, a fim de saber onde andava o seu amigo. Mas não lhe guardara o nome, de modo que o comandante da guarnição, apesar de sua boa vontade, não conseguiu localizá-lo. Agora, a velhinha apela através do jornal, pedindo ao próprio que apareça uma noite dessas, para um dedinho de prosa, para uma xícara de chá.

Outros, cuja necessidade material é mais imperiosa ainda que o convívio, tiveram quem apelasse em nome deles durante o Natal. O vigário da minha paróquia, em West Hampstead, resolveu perder a cerimônia, durante a prédica:

— Vou ser claro e quem tiver ouvidos para ouvir, ouça: estamos nas vésperas do Natal, é preciso ser generoso, proporcionarmos aos pobres um fim de ano decente. Eles também têm direito. Quero hoje uma coleta mais abundante que nos outros domingos. Falei claro? Pois vou lançar mão de uma parábola, para não perder o hábito, e porque fica mais bonito. Já usei essa parábola em outros Natais, e com grande sucesso. Lá vai ela, prestem atenção.

E pôs-se a contar a história daquele inglês que estava passeando pelo campo, como só os ingleses costumam fazer, quando de repente caiu uma chuvarada. Ele, naquele descampado, não tinha onde se esconder. Avistou ao longe uma árvore solitária, correu para lá — mas era uma árvore desgalhada e desfolhada, quase que só tinha tronco. No tronco havia um oco — o homem não teve dúvida: meteu-se no oco da árvore, para se esconder da chuva.

Vai daí, no que a chuva amainou, o homem quis sair do oco da árvore, não houve jeito: a água tinha feito inchar a madeira e a passagem, já estreita, estreitara-se ainda mais. Ali estava ele, prisioneiro da árvore, sozinho no meio do campo, jamais sairia dali, certa­mente morreria entalado. Então começou a meditar na estupidez que fora sua vida, sempre preocupado com o próprio bem-estar, sem jamais pensar em seus semelhantes. Nunca lhe ocorrera dar uma esmola para os pobres no Natal, por exemplo. Se freqüentasse a igreja da sua paróquia (e aqui o vigário fazia um parêntese: "que certamente podia ser esta aqui mesmo, ele podia ser um dos senhores que estão me ouvindo"), ele seria sensível a este apelo à sua generosidade. Mas não: gastava dinheiro à toa, com bobagem, nunca abrira mão de um mínimo que fosse para atender à necessidade de alguém. E foi-se sentindo cada vez mais ínfimo, diminuindo diante de si mesmo, com a consciência da sua própria iniqüidade. Deu-se então o milagre: tanto diminuiu, ficou tão pequenino, que conseguiu sair do oco da árvore.

E o vigário arremata:

— Vamos ter uma estação bem chuvosa este fim de ano! Cuidado com o oco da árvore em que se meterem! Lembrem-se da própria pequenez! Dêem esmolas aos meus pobres!

Já o dono de uma área de estacionamento de automóveis onde costumo parar o meu carro, em pleno centro de Londres, deixa-se impregnar à sua maneira do espírito de generosidade reinante no Natal. Tanto assim, que dei com o seguinte aviso ali afixado:

"Feliz Natal! Hoje o estacionamento aqui é gratuito.
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.
Em tempo: a paz na terra aos homens de boa vontade termina impreterivelmente à meia-noite."


Texto extraído de "Livro Aberto", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 304.

INTUIÇÃO

FELICIDADE E PAZ



Passamos a vida toda tentando conseguir tudo que almejamos....um bom emprego, casa, carro novo, família, filhos, amar, ser amado, ter sucesso, reconhecimento, respeito, e perdemos tanto tempo preocupados com tantas coisas que esquecemos que temos de ser felizes e também fazer as pessoas felizes!
FELICIDADE E PAZ são o principal objetivo!

Vivi

BOM DIA!!!


Ultima semana que antecede o Natal de 2011.
O clima de festa está no ar, as ruas mais movimentadas, coloridas de vermelho, verde, e muitas luzes!
Adoro as luzes de Natal. Deveriam ficar o ano inteiro......
Fica tudo mágico, as pessoas mais sensíveis, mais cordiais, mais fraternas!
Famílias se encontram, comemoram, se abraçam....
É mais uma ano que está indo, mais um Natal chegando!
Um dia feliz para todos!
beijos

Vivi

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

FÊNIX





Arriscar-me em segredo
Vencer meu próprio medo
Desafiar meu conhecimento
Faz com que eu me sinta viva 
Vejo minha imagem no espelho
Não quero a mesmice dos dias
Quero mais de mim mesma
Preciso me superar,  para me amar
Não posso parar no meio do caminho
O universo não me espera
Seguirei  com minha alma mutilada
Ao  parar, tenho  que voltar e recomeçar
Duvido de minha força
Sinto-me cansada  e sozinha
Mas sou como a Fênix, renascendo das cinzas,
O que foi minha ruína, será meu paraíso.....

Vivi

TOGETHER AGAIN - EVANESCENCE

ENIGMA - SADENESS

PESSOAS QUE PASSAM



Existem pessoas que passam anos ao por nós, e quando se vão, é como se nunca existiram. Outras, passam como um tufão, destruindo tudo, nos arrasando, nos reduzindo a pó....Outras passam por um breve momento, mas deixam ensinamentos eternos e um perfume inigualável, inesquecível, sua marca na nossa alma!
Você pode ser grande, em pouco espaço de tempo......ou ser nada eternamente.
Vivi

ERA - MISERI MANI

ONDE ESTÁ O AMOR?



As pessoas não sabem mais como dar amor nem como receber amor....
Todos desconfiam e fogem de todos! Estamos vivendo uma era estranha, ninguém acredita em mais ninguém, ninguém quer amar ninguém, não existe respeito, não existe educação, não existe amor verdadeiro, não existe nada sem segunda intenção.....
Não gosto do que estou vendo, nem vivenciando....Mas não tem volta, só nos resta assistir o espetáculo!

Vivi 

AMENO - ERA

A Dinastia HARLEY-DAVIDSON

                                          

              
http://terratv.terra.com.br/videos/Diversao/Documentarios/Biography-Channel/4691-269048/Biografia-Harley-Davidson.htm

O MEU SONETO

O Meu Soneto
(Florbela Espanca)

Em atitudes e em ritmos fleumáticos
Erguendo as mãos em gestos recolhidos,
Todos brocados fúlgidos, hieráticos,
Em ti andam bailando os meus sentidos...

E os meus olhos serenos, enigmáticos
Meninos que na estrada andam perdidos,
Dolorosos, tristíssimos, extáticos,
Sao letras de poemas nunca lidos...

As magnólias abertas dos meus dedos
Sao mistérios, são filtros, sao enredos
Que pecados de amor trazem de rastros...

E a minha boca, a rútila manha,
Na Via Láctea, lírica, paga,
A rir desfolha as pétalas dos astros!...

BOA TARDE!!!!