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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Carlos Drummond de Andrade - Amor




“Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.”


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Esperança - Augusto dos Anjos





A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

A Canção da Saudade - Olegário Mariano





Que tarde imensa e fria!

Lá fora o vento rodopia...

Dança de folhas... Folhas, sonhos vãos,

que passam, nesta dança transitória,

deixando em nós, no fundo da memória,

o olhar de uns olhos e a carícia de umas

mãos.

Ante a moldura de um retrato antigo,

põe-se a gente a evocar coisas

emocionais.

Tolda-se o olhar, o lábio treme, a alma

se

aperta,

tudo deserto... a vide em torno tão

deserta

que vontade nos vem de sofrer mais!

Depois, há sempre um cofre e desse cofre

tiramos velhas cartas, devagar...

É a volúpia inervante de quem sofre:

ler velhas cartas e depois chorar.

Que tarde imensa e fria!

Nunca mais te verei... Nunca mais me

verás...

Lá fora o vento rodopia...

Que desejo me vem de sofrer mais!

Prece ao Mar - Else Sant’Anna Brum






Se tu pudesses, mar, se tu pudesses



Levar-me contigo para onde vais,



Sem em tuas ondas me quisesses,



Eu iria pra não voltar jamais!



Penso que além de ti, na solidão,



Haverá refrigério para a alma,



E este meu triste e pobre coração



Terá um pouco de alegria e calma.



Porque talvez, além de ti, ó mar,



Não exista ninguém aqui da terra



Nem possibilidade de amar.


Leva-me, é o que te peço em minhas 


preces


Pois uma triste história a minha vida 

encerra.

Levar-me, ó mar amigo, se pudesses!

Boa Noite!


Boa noite almas lindas!
Uma noite cheia de paz e ternura entre os seus amados!
beijos meu,

Vivi

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Boa Noite!!!


Boa Noite!!
Uma noite tranquila, com lindos sonhos e um suave amanhecer....
beijos meu,

Vivi 

Fernando Pessoa





Escrever é esquecer. 


A literatura é a maneira mais agradável 


de ignorar a vida.

A música embala, as artes visuais 


animam, as artes vivas (como a dança e 


a arte de representar) entretêm. 

A primeira, porém, afasta-se da vida 


por 

fazer dela um sono; as segundas, 

contudo, não se afastam da vida - umas 

porque usam de fórmulas visíveis e 

portanto vitais, outras porque vivem da 


mesma vida humana. 


Não é o caso da literatura. Essa simula a 

vida. Um romance é uma história do 

que 

nunca foi e um drama é um romance 

dado sem narrativa. Um poema é a 

expressão de ideias ou de sentimentos 

em linguagem que ninguém emprega, 


pois que ninguém fala em verso.



Sou Sol, Sou Lua - Vivi Ulbricht





Sou sol, sou lua

Meia -noite, meio- dia 


Sou quente, sou fria


Brilho a noite, 


Aqueço ao dia,


Sou clara, sou escura,


Sou sol, sou lua,


Meia-noite, meio-dia....


Sou sombra da noite,

Estrela do dia!


Vivi Ulbricht

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Soneto do Amigo - Vinícius de Moraes


Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Infinito Serei - Vivi Ulbricht




Não sei se sou teimosa, louca ou corajosa,
mas não desisto do que acredito e desejo....
Não importa a dificuldade, o risco, o tempo, um dia eu chego! 
Um sábio(meu avô), me disse há muito tempo:
Caminhe, devagar e sempre!! 
Assim eu continuo, mesmo que o sempre seja infinito,
No infinito eu andarei....

Vivi Ulbricht

Vaidade - Florbela Espanca



Sonho que sou a Poetisa eleita,


Aquela que diz tudo e tudo sabe,


Que tem a inspiração pura e perfeita,


Que reúne num verso a imensidade!


Sonho que um verso meu tem claridade


Para encher todo o mundo! E que deleita


Mesmo aqueles que morrem de saudade!


Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!


Sonho que sou Alguém cá neste mundo...


Aquela de saber vasto e profundo,


Aos pés de quem a terra anda curvada!


E quando mais no céu eu vou sonhando,


E quando mais no alto ando voando,


Acordo do meu sonho...


E não sou nada!...

Mulher - Florbela Espanca





Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!


Como sabes ser doce e desgraçada!


Como sabes fingir quando em teu peito


A tua alma se estorce amargurada!


Quantas morrem saudosa duma imagem.


Adorada que amaram doidamente!


Quantas e quantas almas endoidecem 


Enquanto a boca rir alegremente!


Quanta paixão e amor às vezes têm


Sem nunca o confessarem a ninguém


Doce alma de dor e sofrimento!


Paixão que faria a felicidade.


Dum rei; amor de sonho e de saudade,


Que se esvai e que foge num lamento!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Lágrimas Ocultas - Florbela Espanca





Se me ponho a cismar em outras eras


Em que rí e cantei, em que era querida,


Parece-me que foi outras esferas,


Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida


Que dantes tinha o rir das primaveras,


Esbate as linhas graves e severas


E cai num abandono de esquecida!


E fico, pensativa, olhando o vago...


Toma a brandura plácida dum lago


O meu rosto de monja de marfim...


E as lágrimas que choro, branca e calma,


Ninguém as vê brotar dentro da alma!


Ninguém as vê cair dentro de mim!

BOA NOITE!!


Boa noite!
Uma noite de lindos sonhos e paz para todos!
Tenham uma noite reparadora e um doce amanhecer...
beijos meus,

Vivi

Idéias - Mario Quintana




Não sou desses que um dia pensam uma 

coisa e no outro dia pensam outra coisa 

muito diferente. Eu penso as duas 

coisas 

ao mesmo tempo. Duas ou mais. Não 

tenho culpa de ser ecumênico.