Nascemos também para aprender a amar. Para dançar com a vida com mais leveza.
Para, presentes, curar passados e perfumar futuros. Para criar mais espaço de
bem-estar dentro da gente. Para ser mais felizes e bondosos. Para respirar mais
macio.
Podemos ainda subestimar a nossa coragem para assumir esse aprendizado e
acolher, passo a passo, no nosso ritmo, essa experiência.
Podemos nos acostumar
a olhar o peso e o aperto, nossos e alheios, tanto sofrimento por metro
quadrado, como coisa que não pode nunca ser transformada.
Podemos sentir um medo
imenso e passar longas temporadas quase paralisados de tanto susto. Podemos
esgotar vários calendários sem dar a menor importância para o material didático
que, aqui e ali, a vida nos oferece.
Podemos ignorar as lições do livro-texto
que é o tempo e guardar, bem escondido da nossa prática, esse caderno de
exercícios que é o nosso relacionamento com nós mesmos e com os outros.
Apesar
disso tudo, a nossa semente, desde sempre, já inclui as asas. Já vislumbra o
voo. Já sorri pro riso. Já é feita para um dia fazer florir o amor que abriga.
Mais cedo ou mais tarde, floresce. É o propósito dela.
Ana Jácomo


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